quinta-feira, 12 de julho de 2012

EDUCAR É RESPONSABILIDADE DA ESCOLA?


A criança, o jovem, estão expostos às mais variadas influências de comportamento. A concorrência parece seqüestrar a educação. Temos a televisão, cinema, toda uma mídia a destilar inovação.  Os pais,  trabalhando fora de casa, o dia todo, com vida estressada, pouco ânimo têm para cumprir o seu papel de educador, delegando essa competência à escola.
Os pais, ao não assumirem a educação dos filhos, sobrecarregam a escola, que se torna mais uma vítima da falta de educação que vem caracterizando a infância e a juventude. Quando a escola cobra dos pais educação dos filhos, estes devolvem a responsabilidade para ela. O que vem acontecendo é que etiquetas, regras de convivência, de boas maneiras, estão começando a fazer parte do currículo escolar. A escola começa a ensinar coisas básicas,  esquecidas  das famílias, como não gritar, não falar alto, não falar de boca cheia, não jogar lixo na rua, organizar a bagunça em casa ou ter hábitos saudáveis de higiene.
Uma grande reclamação dos professores é de que os alunos não obedecem, não respeitam, não toleram dialogar, não sabem conversar, revelando comportamento agressivo, resultado da falta de educação. Mostram uma rebeldia que denota ausência de limites, ausência iniciada em casa e prorrogada pela escola..
Vive-se o resultado da falta de limites de uma geração. O adulto não dá o exemplo e a criança e o jovem repetem o que presenciam. Não adianta dizer que não é educado gritar, falar palavrões, se é assim que os adultos agem. O desajuste aumenta quando os valores passados pela escola diferem do que é veiculado pela mídia. Tomemos o exemplo, dentre os ensinamentos básicos, do respeito ao outro e especialmente do respeito aos mais velhos, preceitos esquecidos por conta da cultura do individualismo, do comportamento “do se dar bem”, tão marcados pela mídia e que vai contaminando a todos.
No processo da educação tradicional, a proposta era ensinar o respeito pelo respeito. A pedagogia moderna orienta para o pensar junto, o pensar de como se viver melhor, na compreensão de que se eu quero ser bem tratado, o outro também quer. Tem que haver igualdade de condições, reciprocidade.
As famílias precisam entender que a escola não substitui a educação dos pais, ela complementa, auxilia, reforça. Se a educação em casa falha, ela supre com relatividade, mas, isso lhe acarreta prejuízos instrucionais, prejuízo no conhecimento sistematizado. A escola sabe que não pode  ignorar os aspectos comportamentais, porque a falta de educação vai marcar a sociedade de um retrocesso, de uma “volta à selva”, mas sabe, também, que não substitui a família.
Além disso,  escola e pais perdem-se meio a tantas inovações, a tantos modismos e, às vezes, fica difícil saber o que é certo e o que é errado. Os valores a serem transmitidos devem ter a aquiescência de todos os envolvidos no processo da educação, ou seja, da escola e dos pais. Pais e professores devem falar a mesma linguagem, para não criar conflito, causar confusão. Devem discutir o assunto e tomar medidas comuns.
Há, contudo, aspectos da educação que excluem a escola, que são de absoluta competência dos pais, como, por exemplo, a punição física. A punição física é um aspecto importante, polêmico, onde não há unanimidade sobre o assunto, não só entre os pais, como entre os psicólogos, pediatras, psiquiatras ou psicoterapeutas. A punição grave, as surras, são taxativamente condenadas, caracterizadas como violência.
Quanto ao tapa,  o “tapinha no bumbum”,  o entendimento é contraditório. Há os que condenam e há os que acreditam que ele tem o seu lugar, o seu momento. Os que são contra à palmada ou ao castigo, como método de educação, afirmam que, embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que os rege é o mesmo: o uso da força, do poder. Os psicólogos dizem que o uso da força física é uma forma de conseguir, rapidamente, o que se deseja, mas provoca revolta e não conscientiza.
Quando se pergunta a uma criança o que ela sente após uma palmada, as respostas freqüentes são raiva, dor, tristeza. Baixa auto-estima, agressividade, dificuldade em se relacionar, em confiar um no outro, infelicidade e retardamento mental, estão entre as conseqüências da violência contra crianças. Várias pessoas entrevistadas consideraram o diálogo, o ensinar o certo e o errado, procedimentos bem mais válidos, mas uma grande maioria admitiu o tapinha eventual, quando a criança extrapola os limites.
Há, porém, unanimidade quanto aos malefícios da violência psicológica, tida, pelos psicólogos, como pior que a violência física. Dizer à criança: “Você não faz nada direito”, “não dá para confiar em você”, remoem e acabam por influenciá-la nessa direção.
Outra questão contraditória é sobre o castigo. Há quem acredita, como o psicólogo Haun Grüspun,  que as palmadas podem ser substituídas por castigos. Diz ele: “Privar a criança, que erra, de algo que ela gosta é o que mais falta em nossos dias. Se os pais não colocarem restrições diante do erro vão acabar criando, não-cidadãos, pessoas anti-sociais”. Os adeptos dessa linha acreditam que o castigo, que impõe limite, é fundamental e que se deve sempre estabelecer a ligação entre a natureza da malcriação e a penalidade.
Há, também, uma outra vertente que acredita que castigo não é menos ruim que palmada. Castigo é vingança, é autoritarismo. É uma barganha e não uma relação afetiva. Portanto, nem castigo, nem palmada.
Segundo especialistas, não há trabalhos científicos que confirmam a eficiência da palmada; em compensação, um estudo norte-americano mostra que crianças, que raramente ou nunca apanharam, têm melhor desempenho em alguns testes de inteligência do que as que apanharam com freqüência. A explicação também está em que os pais que não usam de violência se empenham mais em dialogar, estimulando a capacidade de aprender.
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioSempre é bom lembrar aos pais e aos professores que educar é um trabalho gradual, diário e que não se impõe limites de uma hora para outra. Mais vale conscientizar que simplesmente castigar. “A cada vez, a criança vai entendendo as situações, principalmente, se tudo acontece de maneira amorosa, com o intuito de ensiná-la. A criança disciplinada é mais sadia psicologicamente que a indisciplinada ou a mimada, que, em geral,  ‘é mais frágil”,  adverte o psicólogo Thomas Berry Brazelton

EDUCAÇÃO INFANTIL, PRIORIDADE EDUCACIONAL


O Brasil é uma terra de contrastes, cresce desordenadamente. Frisante desigualdade entre o Sul, o Norte e o Nordeste, entre a opulência de poucos e a cruel, a extrema pobreza de muitos!
No Nordeste, a desnutrição infantil, largamente denunciada, alcança considerável parcela dessa população e vem gerando o nanismo. Crianças mal nutridas, sofrivelmente alimentadas, acabam degenerando-se, sucumbindo-se ou tornando-se nanicas. Perdas de vitaminas, na alimentação das primeiras idades, não se repõem jamais, dizem os especialistas do assunto. De nada adianta alimentá-las bem, depois dessa fase; o que se perdeu não se recupera mais. A criança atingida pelo nanismo está prejudicada de modo irreversível.
Transferindo-se essas perdas para a área educacional, do mesmo modo, a estimulação precoce perdida, da primeira infância, desassistida da pedagogia, acarreta deficiências de aprendizagem, dificilmente superadas. O nosso País privilegia o ensino fundamental, e descuida-se da educação infantil, fase mais importante do desenvolvimento da criança, comprometendo o futuro de toda uma geração.  As vagas preenchidas nas creches e nas pré-escolas não são consideradas, pelo governo, para efeito de cálculo e repasse do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental).
A ciência, em sua descoberta, mostrou que o cérebro é muito mais elástico do que se imaginava e tem sua capacidade definida nos primeiros anos de vida, fase em que a quantidade de sinapses (conexões neurais) depende de estímulos, do trato pedagógico recebido.
O cientista  Carl Seagan, já falecido, pôs em xeque o modelo educa-

cional adotado no Brasil pela negligência com que se atua, em relação às nossas crianças. Lançou, à reflexão, o desafio da necessidade da abrangência da educação infantil. Disse ele: “A principal revolução das primeiras décadas do novo século não estará no uso da informática, mas, sim, na educação das nossas crianças de muito pequena idade”.
No meu artigo sobre o exame vestibular eu dizia: O vestibular se constitui na última etapa de uma seleção que começou bem antes, na aprendizagem das primeiras letras. Seu afunilamento é preenchido por alunos que receberam a melhor educação, que freqüentaram a melhor escola.  Ele é um  termostato  de  todo o conhecimento adquirido anteriormente. Nesse contexto, escola particular tornou-se, praticamente, “pré-requisito” para se entrar em uma universidade pública e, esta a melhor do País -- a que oferece melhores empregos no mercado de trabalho – fica reservada aos ricos.
Essa discrepância vem de longa caminhada, quando poucos têm o privilégio de freqüentar o ensino infantil. É aí, nessa fase inicial de estimulação às primeiras aprendizagens, que se inicia a grande defasagem cultural das classes menos favorecidas. É aí, nessa faixa etária, que as crianças de famílias de baixa renda ficam, costumeiramente, de fora.  A ausência desse ensino, pelas crianças pobres, completa o ciclo da desigualdade escolar dessas crianças,  futuros adultos,  futuros concorrentes à marginalização profissional.
Felizmente, a educação desperta-se para a importância da pré-escola. Iniciar a aprendizagem formal de uma criança pelo ensino fundamental, pulando a pré-escola, é o mesmo que construir uma casa sem a consistência de um bom alicerce.
É preciso, pois, lutar pela educação infantil e pelo educador infantil, defendendo políticas públicas que priorizem esta etapa da educação. A nossa rede pública atendeu, no ano de 2002, apenas 9% da população  de zero a três anos nas creches e 48% das crianças de idade entre 4 a 6 anos, nas escolas de educação infantil.
A desatenção ao desenvolvimento integral das crianças na primeira infância responde pelas significativas taxas de evasão e repetência na escolaridade básica. As creches não se caracterizam mais como reservatório de crianças. Hoje, elas têm um conteúdo educacional, critérios curriculares, transformam o contato das crianças com os educadores em relações de aprendizado. Desenvolvem na criança os aspectos físicos, cognitivos, afetivos, éticos, as relações interpessoais e sociais.
 A educação começa no berço e os primeiros anos têm peso fundamental para o resto da vida escolar. A educação que a pessoa teve no “período de molde” (de 1 a 7 anos) vai influenciar todo o seu comportamento futuro. O tratamento pedagógico de uma criança não é igual ao de um adolescente, que, por sua vez, é diferente do de um adulto.
A criança precisa ser atendida nos próprios interesses, sem imposição, para que libere o seu potencial, desenvolva a auto-educação, a autonomia na aprendizagem. Com a educação infantil, iniciam-se as fases específicas do desenvolvimento mental, que começam com a mais tenra idade e vão até a adolescência. Aos 14 anos, a criança está madura para raciocinar hipoteticamente – fase operatória formal ou hipotética – quando se completa, segundo Jean Piaget, o processo intelectual da criança.
Ao deixar de freqüentar a educação infantil, a criança perde, em estimulação e em correspondente aprendizagem, das fases: sensório-motor (ou motora), pré-operatória e a iniciante operatória concreta,  produzindo  considerável  lacuna no desenvolvimento de sua inteligência e de sua formação integral.
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioA criança é um ser que interage com a realidade, formando, nessa interação, suas estruturas mentais e, se conduzida pedagogicamente, terá um desenvolvimento bem mais significativo. O potencial da criança está relacionado à estimulação ambiental e o encontro desses dois fatores – potencialidade e estimulação – realiza-se na pré-escola, conferindo a esta um papel fundamental.

EDUCAÇÃO INFANTIL E PAZ SOCIAL


O mundo desperta-se para a importância da educação infantil. No Brasil, a prioridade governamental dada  ao ensino fundamental, tornando-o universal, deixou a educação infantil em plano inferior. Hoje, percebe-se a necessidade de estender essa prioridade também à educação infantil.
Sob o prisma da aprendizagem, a educação infantil é suporte essencial. Os primeiros seis anos da vida são decisivos para desenvolver habilidades lógicas, musicais, emocionais, motoras e de convívio social. A educação infantil é determinante na aprendizagem. Sua ausência tem sido apontada como a grande responsável pela maioria das repetências, assinalada no ensino fundamental, acarretando ao governo um gasto bem maior do que se mantivesse educação infantil para todos.
A falta de atenção à primeira infância provoca malefícios que se refletem em toda a vida escolar do aluno, quando não em abandono da escola, pela dificuldade em acompanhar o ensino. Deixa o ser humano em defasagem para o resto da vida, causa prejuízo à sua vida social, profissional e, conseqüentemente, à vida do País.
Enquanto não se construir uma rede de assistência integral à infância, continuaremos a viver a desordem social. Após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que colocou a educação infantil como a primeira etapa da educação básica, começaram a surgir propostas para a reforma da educação, parecendo tomar vulto a que propõe a criação, em uma mesma comunidade, de unidades educacionais,  oferecendo vagas a todas as crianças,  desde o ano “zero” e mantendo um ensino de qualidade em todos os graus da educação básica: da creche ao ensino médio.
A educação infantil,  tendo deixado de ser prioridade, mostra o quanto a nossa educação falhou nos últimos anos. Ela era vista, apenas, como algo a mais e isso refletiu nas desigualdades educacionais e na pouca consideração que o professor desse grau de ensino passou a ter. Quanto mais baixa a série que lecionava, menos prestígio tinha.
O Censo do MEC revelou, no início da implantação da reforma,  a existência de uma educação infantil de baixa qualidade, com a maioria dos professores sem habilitação para lecionar. Preocupado com a  situação, o MEC lançou referenciais para a formação dos professores de  creche e pré-escola, lançou  os “Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Infantil”, na proposição de orientar o trabalho desse nível de ensino. Forneceu diretrizes para o credenciamento das escolas, com especificações a espaço, a recursos pedagógicos e outros.
A baixa qualidade da educação infantil confunde desenvolvimento infantil com sobrecargas de atividades pedagógicas e alfabetização precoce. Ela ainda é grandemente constituída por professores que não entendem a essência desse nível de ensino, que consiste em desenvolver habilidades, atitudes no tempo próprio da criança, no seu ritmo próprio, obedecendo as fases do seu desenvolvimento mental. Alunos há que requerem mais tempo para adquirir determinados conceitos e técnicas.
Os alunos aprendem mais e mais rapidamente quando o professor é um orientador sereno da aprendizagem, um comandante firme, afetivo.  Hoje, em plena era digital, a falta de conhecimento significa exclusão social e o Censo de 2001 nos mostrou que mais de dois milhões de crianças estão distantes dos livros, dos cadernos e os que estão em salas de aula recebem um ensino sem qualidade.
Estudos  pertinentes  citam  graves  conseqüências  da  ausência da

educação infantil. Referem-se a gastos humanos, sociais e políticos. Humanos, quando o aluno desprovido da educação infantil não alcança um ensino de nível. Perde a auto-estima, torna-se propenso à derrota. Sociais, quando despreparado, torna-se um freguês dos programas de renda mínima, cestas básicas, Febem. Político, quando o analfabetismo escolar leva ao analfabetismo político.
Descobriu-se  que  a educação infantil tem papel fundamental no desenvolvimento do comportamento social. Ela é vista não só como alicerce do desenvolvimento cognitivo, mas como alicerce da formação da personalidade, do caráter, da religiosidade. Formar a criança é prevenir o futuro. Dar-lhe valores morais, éticos, é preparar um futuro de paz, sem violência, formar uma sociedade melhor estruturada. Ademais, a criança, segundo recentes estudos, é o agente transformador da sociedade mais eficaz que se tem. O que ela aprende na escola leva à sua família, à sua comunidade, à sua cultura. A criança é um educador social de importância.
“Educa-se a criança para não chorar o adulto”. Essa verdade vem impregnando o entendimento educacional, tomando vulto na sociedade. Projetos comunitários voltados à recreação de crianças de favelas, candidatas à criminalidade, cresceram e são mostrados, pelos meios de comunicação, como exemplos a serem seguidos. Entidades, organizações, artistas, voluntários, abraçam a causa das crianças sem escolas, sem rumo, e vão aos locais de suas moradias ensinar-lhes dança, música, teatro, jogos esportivos, dar sentido às suas vidas.
Esses movimentos, em prol das crianças de rua, sensibilizam, deixam claro de que a maioria das crianças de favelas não tem futuro e se perde na promiscuidade. Essas crianças serão os bandidos de amanhã, bandidos a invadir as nossas casas, a matar, a roubar, e nós seremos os maiores atingidos. Então, se não formos tocados pelo triste espetáculo do abandono, que se descortina, que sejamos, ao menos, precavidos a nosso favor. Atender às crianças desamparadas é benefício que faremos a nós, às nossas famílias, à sociedade.
Um outro aspecto da função da escola é a passagem dos valores morais. A pedagogia nos ensina que justiça, solidariedade, tolerância, obediência às regras, respeito ao limite, são valores que se aprendem, como também se aprendem os antivalores: injustiça, crueldade, preconceito, egoísmo, desrespeito. A escola de educação infantil, especialmente, deve primar-se por formar moralmente as crianças. É nessa faixa de idade que se constrói o alicerce. Ultrapassada a fronteira da infância, em torno dos 12 ou 13 anos, fase da adolescência, a mudança de personalidade torna-se difícil.
Já começa haver a percepção da necessidade de se adequar políticas educacionais à realidade vivida pelas populações carentes. A percepção de que investir na primeira infância sai bem mais em conta que manter uma Febem. A percepção maior de que investir em oportunidades às crianças e aos jovens,  dando-lhes  vida  decente, garante o exercício da cidadania e leva a menos criminalidade. É como dizia Victor Hugo, já no século XIX: “Abre-se uma escola, fecha-se uma cadeia”
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioChega-se, finalmente, à conclusão de que o mundo de paz depende de como a nação, a sociedade, vierem a tratar as suas crianças, de como investirão em planos de apoio às famílias carentes

EDUCAÇÃO INFANTIL


As recentes descobertas sobre a formação do cérebro humano provocaram uma revolução nas pesquisas sobre o processo de aprendizado. Influenciaram e modificaram toda a estrutura de ensino dessa faixa de atendimento infantil. Abriram novas perspectivas para o desenvolvimento intelectual e emocional da criança e levaram à reformulação do currículo das escolas infantis. O neurobiologista Harry Chugami, da Universidade de Michigan, adverte: “O currículo das escolas tradicionais está fora de sincronia com as teorias modernas sobre aprendizado infantil, porque subestima a capacidade das crianças. A pré-escola desperdiça o potencial infantil de aprendizagem, porque exige pouco, e mantém baixas as expectativas sobre o que as crianças são capazes de entender”.
As descobertas provocaram mudança de mentalidade e passou-se a diminuir a idade em que a criança começa ir à escola. Descobriu-se que o melhor período para desenvolver o potencial da criança é de zero a 3 anos; o melhor período de aprendizagem ocorre dos 2 aos 10 anos. Ao entrar na pré-escola, metade do processo de desenvolvimento do cérebro da criança já está concluído. Há duas décadas atrás, o cérebro de uma criança de 5 anos era visto como uma fita semivirgem, que registrava tudo que fosse ensinado pelos professores.
Acreditava-se de que até os 6 anos a criança deveria apenas brincar, quando, hoje, sabemos que a estimulação precoce altera a maneira e o grau de aprendizagem infantil. Brincar é importante, é o laborató-
rio natural da afetividade, da sociabilidade, da ética e serve de suporte para uma adequada estimulação,  mas,  não  ficar,  apenas,  no brincar.
Limitar experiências na pré-escola é desperdiçar o melhor período de aprendizagem da criança.
É na interação com o meio em que vive que a criança constrói o conhecimento. Novas metodologias, novas abordagens didático-pedagógicas do conteúdo começam a surgir. Educação infantil amplia conceito de pré-escola e esta passa a assumir papel formal no processo de aprendizagem. O envolvimento com a leitura e a escrita começa muito cedo, desde o maternal, assim como a formação ética e moral.
A denominação pré-escola, embora usada oficialmente, é rejeitada pelo educadores que consideram este período fundamental para o desenvolvimento intelectual da criança, desenvolvimento que se dá através de estímulos táteis, visuais e auditivos, aproveitando todo o potencial da criança. Ela não é pré, já é escola.
Hoje, sabemos da importância de trabalhar conceito e não conteúdo. Pelo conteúdo, a criança vai memorizar o conhecimento; pelo conceito, vai incorporá-lo. “Em vez de memorizar tabelas de multiplicação, crianças de até 4 anos devem estar “brincando” com conceitos de matemática e lógica. O importante é que as crianças entendam o conceito cedo. As fórmulas ficam para mais tarde”, diz o pedagogo Sam Houston, encarregado de reformular o currículo das escolas primárias da Carolina do Norte, nos EUA.
Crianças de até 8 anos devem ficar sentadas o mínimo possível, porque elas aprendem por experiência, na prática, vivendo o que está sendo ensinado, permitindo ao cérebro relacionar os fatos.
Os anos 90 estão sendo conhecidos como a “década da pesquisa cerebral”, devido às inúmeras descobertas sobre o desenvolvimento do cérebro. Aparelhos que captam imagens do interior do corpo humano em funcionamento, os “scanners”, trouxeram, entre muitas outras, duas descobertas importantes: a) o cérebro usa o mundo exterior para se moldar; b) existem períodos críticos em que as células cerebrais – os neurônios – precisam de determinados estímulos para desenvolver habilidades como visão, coordenação motora ou linguagem. Esses períodos passaram a chamar-se “janelas de oportunidade” e vão do nascimento até por volta de 12 anos de idade. Até o início da década de 80, só era possível estudar o cérebro de pessoas mortas.
Não se sabe com precisão em que idade as “janelas de oportunidade” se fecham, mas os cientistas são unânimes em afirmar que a maior parte delas se abre nos primeiros meses de vida. Descobriu-se que as “janelas de oportunidade” – período em que se formam as conexões entre os neurônios – para aprender, por exemplo, um segundo idioma só se fecham aos 6 anos e o período ideal para aprender música começa aos 3 e vai até os 10 anos. Crianças de 5 anos, se corretamente estimuladas, conseguem entender conceitos matemáticos, como volume e densidade, falar mais de um idioma, tocar instrumentos e chegar a ler partituras.
Os cientistas colocam dois fatores determinantes na interação da formação do cérebro infantil: genes e ambiente. Os genes são responsáveis pela estrutura do cérebro e o ambiente, pelo seu funcionamento. As experiências vividas pelo bebê, do nascimento aos 6 anos, determinam seu futuro emocional e intelectual. A outra parte desse futuro é determinada pela carga genética herdada dos pais.
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioA ciência mais uma vez dando o seu recado,  integrando o processo
psico-pedagógico da aprendizagem.    

DESCOMPASSO ENTRE A PROPOSTA DE CICLOS E O ENTENDIMENTO PREDOMINANTE

                                                                                                                                         

Parece haver unanimidade sobre as vantagens do sistema de ciclos para a aprendizagem, visto como metodologia, que observa, no ensino, as fases do desenvolvimento infantil. A sua proposta está embasada em Jean Piaget, na qual o desenvolvimento infantil ocorre por fases. Adapta-se o processo de construção do conhecimento a essas fases da criança. Os ciclos, coincidindo às fases do desenvolvimento, aumentam as possibilidades de aprendizado, pois o ritmo das crianças é respeitado. Traz a possibilidade de o aluno aprender de acordo com seu ritmo, no espaço de 2, 3 ou 4 anos. Também, nesse processo, levam-se em conta os conhecimentos que as crianças trazem de casa, da convivência social.
O aluno recebe um atendimento diferenciado; é acompanhado individualmente em suas deficiências. É um processo que visa garantir a permanência e o aprendizado dos alunos, com a propositura de poder haver reprovação no final de cada ciclo. Ele vem acompanhado de uma estrutura – recuperação paralela, aulas de reforço, recuperação no período de férias – que deve permitir a recuperação das defasagens. A coerção, a reprovação, são substituídas por outros mecanismos, que se transformam em novos estímulos.
É  uma proposta inovadora,  mas que requer condições especiais para a sua aplicabilidade, principalmente mudança de mentalidade. Traz como uma de suas bases de sustentação o atendimento individual ao aluno.
Na prática,  o que se constata é que os ciclos não foram assimilados
pela grande maioria dos professores. O que poderia significar um salto para o futuro está criando confusão, desorganizando a escola. Também, não está havendo boas condições de trabalho, especialmente quando se fala em superlotação das classes. Como fica o atendimento individual, requerido pelo ciclo, nesse caso?
A mudança do sistema seriado para o de ciclos foi rápida, arrojada. Foi uma transição brusca, os professores não foram preparados para ela. A mudança não foi discutida pelos professores, que, em conseqüência, não incorporaram suas necessidades. Não foi feito um levantamento mais criterioso das condições de ensino, constatando-se falta de instalações, como bibliotecas, laboratório, salas disponíveis para aulas de reforço, quando, muitas vezes, o aluno é obrigado a fazer o reforço em outro prédio, outro local e nem sempre com o mesmo professor, o que descaracteriza a continuidade do processo.
Por um conjunto de fatores,  o ciclo está sendo mal aplicado, mal entendido. O próprio professor admite seu despreparo para trabalhar conforme os novos parâmetros, surgindo, assim, um descompasso entre a proposta de ciclos, em sua progressão continuada, e a mentalidade predominante na rede escolar.
De acordo com o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a avaliação, realizada em sua 1.ª fase no ano de 1997, revelou vantagens em relação às demais séries do ensino fundamental, nos agrupamentos das 1.ªs e 2.ªs séries do ciclo básico. Acontece que em 1984, na fusão da 1.ª e 2.ª séries houve todo um aparato preparatório para os professores da rede estadual de ensino. Os professores foram treinados para entender e aplicar o processo ensino-aprendizagem do ciclo, o que não ocorreu em 1998, quando da ampliação desses ciclos. Aliás, o passo foi bem mais ousado. Poder-se-ia caminhar nessa direção, mas, mais calmamente, ampliando o 1.º ciclo, de 1.ª e 2.ª séries, para um segundo, que seria de 3.ª e 4.ª séries. Formar-se-iam dois ciclos de 1.ª à 4.ª série, com um prazo para apurar, em avaliações, o resultado obtido.
Não teria sido conveniente primeiro reciclar o professor, melhorar sua atuação, mudar-lhe a cabeça, para depois lançar, na prática, as propostas renovadoras? Não estaríamos, hoje, conseguindo melhores resultados, caminhando com mais segurança para o futuro?
Sabemos que a reprovação nem sempre significa garantia de melhor aprendizagem, especialmente se o aluno a encarar como um castigo. O aluno, com mais idade, sente-se deslocado no seu grupo, podendo regredir ainda mais. Nesse sentido,  a  progressão  continuada  é  melhor do que submeter o aluno a sucessivos fracassos.
Não queremos voltar à “cultura da repetência”, época em que era considerado o melhor professor aquele que mais reprovava, mas também não podemos criar a “cultura da aprovação”, quando a aprovação em massa poderá ser, em contrapartida, um desestímulo ao bom aluno, que não percebe critério, justiça, além de proporcionar, ao mau aluno, um desrespeito a si mesmo e à aprendizagem não ocorrida.
Independentemente do sistema adotado, é preciso educar para a auto-estima. Compreender as raízes sociais do fracasso, como a desestruturação da família, a miséria... e ajustar-se a elas, lutando pelo êxito da criança, afastando-a das ruas.
O  governo  argumentou,  em  1998,  que a política de acabar com a
repetência, introduzida na rede pública, reduziu as perdas do sistema de R$ 700 milhões para R$ 350 milhões. Eu me pergunto: se esses milhões fossem empregados na formação do professor, na infra-estrutura da escola, não se conseguiria, a médio prazo, um resultado mais contundente, mais duradouro, em termos de repetência e de qualidade de ensino?
Ilustrando esta minha observação, citarei a conduta tomada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, quando da implementação, no início da década de 70, dos Guias Curriculares referentes às matérias do núcleo comum, elaborados de acordo com as normas traçadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) n.º 5.692, promulgada no ano de 1971. A primeira preocupação da Secretaria foi a de capacitar os professores,  fazê-los conhecer o conteúdo, a metodologia, a filosofia, da nova proposta; levá-los a discuti-la, a situar a teoria, em estudo, na sua prática diária, para somente depois, com os professores já treinados, lançar os “guias” na rede oficial, em caráter facultativo. Mesmo sendo facultativo, a acolhida foi geral. Avaliações posteriores revelaram um resultado positivo surpreendente.
A proposta do ciclo básico é boa, pedagogicamente correta, mas, para que a progressão continuada venha a representar um avanço, é preciso investir maciçamente na formação do professor e em suas condições de trabalho. Do jeito que está sendo aplicada, mais parece uma tentativa de mascarar o problema da repetência no País.
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioDeve haver articulação entre as diversas instâncias dos poderes federal, estadual e municipal. O professor precisa ser ajudado, mas, na seqüência, também se ajudar, somar esforços para que o aluno aprenda. É ele, o professor, o responsável para que o bom ensino aconteça. É, pois, necessário dar condições a que ele garanta a aprendizagem, para não correr o risco de se lançar no mercado de trabalho, nas portas das universidades, estudantes despreparados, analfabetos funcionais.           

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM: MOMENTOS DA AVALIAÇÃO


No item anterior, constatamos que aspectos amplos do desenvolvimento do aluno devem ser avaliados. O professor busca informações para obter a compreensão do comportamento demonstrado pelo aluno. Essas informações, para efeito de organização, foram classificadas em três aspectos: físico e motor, social e afetivo e intelectual.
Para se avaliar hábitos de trabalho, responsabilidade, participação, relacionamento com colegas etc., deve-se levar em conta que as provas onde o aluno utiliza lápis e papel não são suficientes para dar informações sobre os aspectos do desenvolvimento considerados. Para saber se estes comportamentos ocorrem ou não, é necessário observar e estudar o comportamento dos alunos, como eles reagem em matemática, português, artes etc.
Conforme frisei em outro tópico, o professor deve avaliar como um educador, não como um comunicador de informação, deve interessar-se pelos alunos enquanto pessoas, valorizar suas atitudes e responsabilidades. Ao levantar os objetivos dos Planos de Ensino, deve assinalar os essenciais e dar conhecimento aos alunos. Deve colocar os padrões de rendimento aceitável,  tomando por base os objetivos essenciais, em todas as atividades que serão avaliadas.
Depois de se ter decidido o que avaliar, uma outra questão surge: quando deve ser feita a avaliação?

MOMENTOS  DA  AVALIAÇÃO

                              
“Tenho a cada momento uma ação,
Antes de uma seqüência de ensino,
A diagnóstica faz sua função,
Evita trabalho sem destino.

Diagnostique o nível do aprendiz,
Planeje de acordo à realidade,
O aluno aprende e avança feliz,
Visto no potencial, na irmandade.

Antes do programa, dê pré-teste,
Para auscultar possibilidade,
No final, aplique o pós-teste,
No confronto, a confiabilidade.

Durante o processo-aprendizagem,
Corrigindo o desvio quando ocorre,
A formativa traz sua mensagem,
E o estudo paralelo socorre.

Avaliação de acompanhamento
Não visa promover, nem reter,
Aspectos do desenvolvimento
São objetivos a recorrer.

É pro mestre valioso recurso,
De identificação de fatores,
Que ajudam ou esbarram o percurso,
E a adequação dos fios condutores.

Tem sutil função controladora,
Recupera o ensino regular,
Tem finalidade formadora,
Escolaridade salutar.

Recuperar a avaliação,
Nas ações formativo-diagnósticas,
É da escola séria atribuição,
Para alçar vôo, veias humanísticas.

No final da seqüência de ensino,
Pra promover e classificar,
A somativa indica o caminho,
Que o intelecto deve conquistar.

Aqui os desempenhos cognitivos,
Pelos objetivos essenciais,
Em avaliações cumulativas,
     Ditam os resultados finais.

Não cobre apenas uma só vez,
Pratique revisões espaçadas;
Conduza o educando à solidez,
Testando atuações reiteradas.

Usando bom senso e equilíbrio,
Desprezando padrão absoluto,
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioQualquer método, em bom princípio,
                               Desempenha um papel enxuto.”

CONFLITOS ENTRE ESCOLARES


A presença dos pais na vida escolar tem significativo valor para os estudos dos filhos e para a vitalidade das instituições. Crianças e jovens que freqüentam a escola têm, como é natural, temperamentos diferentes, o que provocam constantes conflitos. Muitas vezes eles mesmos conseguem administrar o problema, sem interferência externa, mas há os que apelam para os pais.
Desentendimentos entre alunos são comuns e variam de intensidade de acordo com a faixa etária. Entre os pequenos, na faixa de 1 a 6 anos, o que mais surge são apelidos maldosos, puxões de cabelo ou brinquedos quebrados.
O período mais crítico fica por volta dos 12 aos 17 anos e, entre estes, dos 13 aos 16 anos, quando a sexualidade dos meninos está em ebulição. O jovem, para ser aceito no grupo, tem que se sujeitar às suas regras, ao seu modo de falar, de vestir. O grupo coloca à prova valores familiares e próprios e quem não se enquadrar na “tribo”, quem ousar ser diferente, é massacrado sem consideração.
Quando a intimidação, por parte de um colega ou do grupo, é sistemática, quando caminha para a violência física, pressão psicológica, ameaças freqüentes, ela provoca danos emocionais, baixa auto-estima, baixa autovalia, que é a capacidade de se avaliar em relação ao grupo, levando a problemas de rendimento escolar.
As agressões por causa de garotas são comuns e se restringem comumente ao próprio grupo. Mas, brigas também existem fora da escola, quando a convivência cria rixas. A intimidação é comum mesmo entre meninas. Cria-se competição no âmbito da aparência. Quem não estiver com a roupa da moda ou com o corpo esbelto pode ser excluída do grupo e vira alvo de gozação.
Casos mais graves, como brigas envolvendo drogas, roubos e discriminação, exigem intervenção imediata. Nessas circunstâncias, a escola atua com a família, junta pais e escolares envolvidos. Não é raro a escola perceber que o comportamento do estudante é reprodução do que aprendeu em casa. São os próprios pais que muitas vezes incentivam a intimidação, na filosofia do “bateu, levou”.
Um bom procedimento para a escola é professores e alunos elaborarem um texto em conjunto, propondo normas disciplinares. Escolas renomadas têm regras disciplinares bem definidas que constam na agenda dos alunos. Contudo, a escola pode intimidar o aluno ao ignorar sua cultura, sua bagagem social. Antes de punir, deve inteirar-se de sua origem, olhar a raiz. De onde vem esse aluno? Como é sua família? Daí a importância de uma gestão democrática, de uma participação efetiva dos pais na vida da escola.
É na fase em que a personalidade está se moldando que a escola precisa trabalhar na integração do grupo. Muitas escolas criam o “momento da roda”, quando toda a classe se reúne para conversar. Esse é um valioso momento para se educar: se um coleguinha é caçoado por causa de seus óculos, aparelho nos dentes ou jeito, aproveita-se para falar, por exemplo, da importância de respeitar o modo de ser das pessoas. Pais e professores devem fazer cada um a sua parte, ensinando a criança a respeitar o outro e acolher as diferenças.
No seio da família, também surgem conflitos, não acontece só no convívio escolar. As exigências do mundo moderno cresceram. A família tradicional vem passando por um processo de mudança. O papel dos pais começa a ser questionado. Pai e mãe trabalham fora e se sobrecarregam de atividades e, geralmente, não há tempo para criar um espaço comum, não há tempo para o diálogo. Uma convivência menor com a família reflete no rendimento escolar, no número de horas que a criança ou o adolescente passa em frente da televisão, criando ansiedade, deficiência de atenção, hiperatividade e atraso no desenvolvimento. Problemas emocionais, como depressão e estresse, acabam acontecendo e a grande receita é amor, carinho, atenção.
Os pais, num determinado período da existência, são as pessoas mais importantes na vida dos filhos. As crianças precisam de uma família, de relações afetivas. Isso traz segurança, fator fundamental ao bom desenvolvimento infanto-juvenil.
Tanto na escola quanto em casa, as crianças não podem ser tratadas todas da mesma maneira. Uma estratégia pode funcionar para uma e não para outra. A personalidade, a individualidade devem ser respeitadas. Por isso, nunca se deve fazer comparações. Deve-se dar meios para que as crianças desenvolvam o que têm de bom e para que sejam orientadas em relação aos defeitos. Perfeição não existe, portanto, dosar as exigências. As crianças precisam desenvolver experiências adequadas à sua idade. Olhar para elas em todas as suas dimensões: biológica, afetiva, emocional e moral de forma integrada para que todos os aspectos do desenvolvimento e comportamento infantil possam ser envolvidos.
As crianças precisam de disciplina, de limites que estruturem a sua vida e lhes tragam boas respostas às expectativas criadas. Educar não é bater, não é fazer prevalecer a vontade dos adultos. A criança precisa galgar experiência, ter segurança para fazer suas escolhas e ter responsabilidades sobre eles. Educar para a autonomia, não para a dependência.
Também é oportuno lembrar que não se deve sobrecarregar as crianças de atividades, para fazer uma série de cursos extracurriculares, como judô, balé, natação, inglês... Elas precisam ter tempo para ser crianças, brincar, aproveitar a infância, os melhores anos da vida.
Caixa de texto: Clique para voltar ao sumárioSão nos primeiros anos de vida que se constroem as bases do futuro e a criança precisa ter esperança no futuro. Pais e professores devem conviver com as crianças de modo a integrá-las no meio em que vivem, a criar com elas cumplicidade e fortalecer os laços afetivos.